Acordo, já tarde, mentalizo-me lentamente que tenho que me levantar, dirijo-me penosamente para o banho e mentalmente penso em saias e calças, camisas e camisolas, roupa passada e por passar e decido.
E depois o casaco aperta-me nos braços e nas costas e saia não serve nas pernas.
Onde está a gaja que comprou a roupa que enche o meu armário?
25.9.09
23.9.09
à noite, os gatos
Enquanto te espero, ponho as leituras em dia e mimo a Maria, falo-lhe de que me vens buscar, de onde vamos, que se ela comesse lhe trazíamos um temaki.
Não satisfeita, insiste na janela, apesar do escuro lá fora, mia aquela voz dela que tão bem conhecemos e dá-me turras, roça-se, tenta conquistar-me com mimos interesseiros.
Conto-lhe então a história dos gatos da noite, de como ela é uma gatinha bonita e não queremos que ela fique parva.
Resignada, finalmente ignora-me e vai à sua vida, jantar que afinal já se vão fazendo horas.
Não satisfeita, insiste na janela, apesar do escuro lá fora, mia aquela voz dela que tão bem conhecemos e dá-me turras, roça-se, tenta conquistar-me com mimos interesseiros.
Conto-lhe então a história dos gatos da noite, de como ela é uma gatinha bonita e não queremos que ela fique parva.
Resignada, finalmente ignora-me e vai à sua vida, jantar que afinal já se vão fazendo horas.
22.9.09
adormecer, dormir e acordar
Esta noite sonhei sonhos esquecidos. Ouvi vozes estranhas ainda mal adormecida. Sonhei percursos atribulados, perseguições, muita gente e locais diferentes, estremeci antes de adormecer profundamente para todos esquecer.
Depois sonhei sonhos que não lembro, intensos, velozes, que me cansaram os braços e a cabeça. Como se de manhã fosse ainda tempo para retomar a outros sonhos, ou serão já pesadelos?
Depois sonhei sonhos que não lembro, intensos, velozes, que me cansaram os braços e a cabeça. Como se de manhã fosse ainda tempo para retomar a outros sonhos, ou serão já pesadelos?
21.9.09
eu e o mundo
Não gosto de jornais e prefiro manter-me a par do mundo pela televisão, ou, dado que não sou muito exigente, pelos blocos informativos à hora certa na radio ou pelos highlights das versões online dos jornais. No entanto, nos últimos tempos, e principalmente desde que regressamos de férias, tenho-me feito ainda mais alheia do mundo, das novelas da política, da crise e dos desastres naturais ou terroristas.
Não estarei a fechar-me demais no meu casulo?
Não estarei a fechar-me demais no meu casulo?
não me apetece
Semana após semana adio o regresso ao ginásio, invento pretextos para deixar para amanhã o início do treino e sinto-me cada vez mais incapaz de me motivar para ir.
Se nem a razão óbvia me dá alento como vou eu conseguir desta vez?
Se nem a razão óbvia me dá alento como vou eu conseguir desta vez?
20.9.09
dor
Partilhar de perto a dor de alguém que me é querido emocionou-me, assustou-me a violência da perda, a injustiça, a procura de razões que não existem, o sentimento de negação que parecia ser a mais forte rocha para nos agarrarmos. Questiono-me durante quanto tempo se acordará a pensar se afinal não foi tudo um sonho mau. Será que alguma vez deixa de doer?
18.9.09
facto (3)
É mais fácil escrever das tristezas que das alegrias que a vida me dá. Tenho medo que se escrever, a felicidade se assuste e fuja.
finalmente sexta-feira
Hoje adormecemos.
O despertador tocou e os dedos ensonados clicaram no botão errado.
Ficamos, agarrados ao calor um do outro, aos sonhos que ainda não queriam acabar, à preguiça que faz já lembrar as manhãs de Inverno.
E ainda é só o primeiro dia de menos calor...
O despertador tocou e os dedos ensonados clicaram no botão errado.
Ficamos, agarrados ao calor um do outro, aos sonhos que ainda não queriam acabar, à preguiça que faz já lembrar as manhãs de Inverno.
E ainda é só o primeiro dia de menos calor...
17.9.09
up
Pegámos em nós as duas, numa tarde perdida e lá fomos. Pusemos os óculos e emocionámo-nos com o senhor que sonhava viajar, com os seus sonhos e os seus medos.
Um filme delicioso.
amuo
Vejo que estás mais crescida
Já dobras a frustração
Bates com a porta ao mundo
Quando ele te diz não
Envolves o teu espaço
Na tua membrana ausente
Recuas atrás um passo
Pra depois dar dois em frente
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Ficas descalça em casa
A fazer a tua cura
Salva por um bom amuo
De fazer má figura
Amanhã o mundo inteiro
Vai perguntar onde foste
E tu dizes apenas
Que saíste, viajaste
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Nada como um bom amuo
Apenas um recuo quando nada sai bem
E depois voltar
Como se nada fosse
E reencontrar o lugar
Guardado por um bom amuo
Clã - Amuo
Carlos Tê/ Hélder Gonçalves (SPA/Lx Editora) Participação de Fernanda Takai
Já dobras a frustração
Bates com a porta ao mundo
Quando ele te diz não
Envolves o teu espaço
Na tua membrana ausente
Recuas atrás um passo
Pra depois dar dois em frente
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Ficas descalça em casa
A fazer a tua cura
Salva por um bom amuo
De fazer má figura
Amanhã o mundo inteiro
Vai perguntar onde foste
E tu dizes apenas
Que saíste, viajaste
Amuar faz bem
Amuar faz bem
Nada como um bom amuo
Apenas um recuo quando nada sai bem
E depois voltar
Como se nada fosse
E reencontrar o lugar
Guardado por um bom amuo
Clã - Amuo
Carlos Tê/ Hélder Gonçalves (SPA/Lx Editora) Participação de Fernanda Takai
14.9.09
de volta
Já deixamos o mar azul e a areia macia.
Voltamos para a nossa casa, a Maria, a cidade.
E para o trabalho também.
Estava tudo tão bem...
Voltamos para a nossa casa, a Maria, a cidade.
E para o trabalho também.
Estava tudo tão bem...
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